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     Cânticos dos Cânticos  
     
 
Autor
 
 

         A tradição de longa data tem citado Salomão como o autor, tendo por base a epígrafe Cânticos dos Cânticos (1.1). Essa expressão, no entanto, pode ter vários significados. V.Foi Salomão quem escreveu esse Cântico? (1.1) Alguns acreditam que um escritor desconhecido o tenha composto, e isso com música, Outros dizem que pode ter sido uma coletânea de poemas de vários escritores, dentre os quais o próprio Salomão.

 
 

 

 

 
 
Por que ler esse livro?
 
 

         Muitas pessoas têm estranhado que um poema de amor e de intimidade sexual tenha sido incluído na Bíblia. Algumas delas propõe, que leiamos apenas simbolicamente, como ilustração do amor incondicional de Deus. Outras interpretam à letra, e acham aí um tesouro de deleites conjugais. Talvez haja valor nessas duas abordagens. De qualquer forma, Cântico dos Cânticos é um belo quadro do aspecto físico do amor, e suas palavras sensuais aplaudem a sexualidade como parte da maravilhosa criação de Deus.

 
 

 

 

 
 
Conteúdo
 
 

         O livro de Cântico do Cânticos é a melhor de todas as canções, um trabalho literário de arte e uma obra– prima teológica. No séc. II, um dos maiores rabinos, Akida bem Joseph, disse: “No mundo inteiro, não há nada que se iguale ao dia em que o Cântico dos Cânticos foi entregue a Israel.” O livro de Cântico do Cânticos, em si, é como a sua fruta favorita, a romã, em cores vivas e repleto de sementes. Bastante diferente de qualquer outro livro bíblico. Ele merece consideração especial como arquétipo bíblico que apresenta, de um modo novo, as realidades básicas das relações humanas. Cântico do Cânticos emprega linguagem simbólica pra expressar verdades eternas, em semelhança ao Livro de Apocalipses.

 
     
 

         Cântico do Cânticos contém descrições da mulher sulamita juntamente com uma exibição completa dos produtos de seu jardim. Isso deve ser entendido como um paralelo poético do amor conjugal e como bênçãos ao povo da aliança, em sua terra.
Claras indicações são dadas na descoberta das bênçãos da aliança: “sai-te pelas pisadas das ovelhas” (1.8). Aqui, o termo “pisadas” é, literalmente, “marcas de calcanhar”, e pode ser uma alusão a Jacó, o patriarca cujo nome conota “um calcanhar”. A função pastoril de Jacó e a sua constante luta pela bênção de Deus e do homem são citadas como a norma bíblica para o povo de Deus (Os 12.3-4,12,14). Ele nasceu segurando o calcanhar do seu irmão, um manipulador congênito. Foi “desconjuntado” com ardil no âmago de seu ser, como ilustrado por seu mancar em Maanaim (Gn 32). Foi forçado a viver fora de sua terra sob a ameaça de uma irmão irado. Retornou pra sua terra depois de 20 anos com uma instituição familiar defeituosa. Ardil, falta de amor, ciúme, raiva e amor de aluguel (de mandrágora, um suposto afrodisíaco) entraram nessa fraca estrutura. Os próprios nomes das Doze Tribos mostram a necessidade de uma nova história familiar.

 
     
 

         A sulamita ajuda e reescreve essa história. Ela executa a dança memorial de Maanaim (6.13); ver Gn 32.2). Quando encontra a quem ama, ela o detém e não o deixa partir (3.4; ver Gn 32.26). Mandrágoras perfumadas crescem nos campos dela (7.11-13; ver Gn 30.14). Quando as filhas vêem, chama-na bem– aventurada ou feliz (6.9; ver Gn 30.13). Na sulamita, a corrompida árvore familiar produz “frutos excelentes”, os melhores (7.13; ver Dt 33.13-17). As bênçãos da aliança que havia sido distorcidas são redimidas.

 
     
 

         Os mesmos acontecimentos também podem ser visto como retratos do amor conjugal. Dessa maneira, ela detém o seu marido e não o deixa partir (3.4). É o seu marido que elogia sua beleza (6.4-10). E a procissão de um casamento real e a alegria recíproca do noivo e da noiva aparecem retratadas em 3.6-5.1.

 
     
 
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